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  • Illan Besen

Rebalanceamento de Carteira



“Se eu soubesse que o preço do papel subiria dessa forma, quando a bolsa de valores (IBOVESPA) marcava abaixo dos 50.000 pontos, teria aumentado minha posição.”


“Eu poderia ter aproveitado aquela última alta do mercado para vender minha posição (em parte ou toda), de forma a ficar mais leve e aproveitar um momento de queda.”


É muito comum ouvir essas mensagens de quem investe seus recursos em ações. Para os bons ouvintes, como quem vos escreve, é de fácil identificação a utilização do futuro do pretérito associado ao “se” no papel de conjunção subordinada condicional. Em bom português: Narrar um replay é fácil, né?!


A lógica de comprar barato e vender caro ilustra a eterna “corrida atrás do ouro” e no afã de alguns investidores de quererem acertar precisamente os movimentos de mercado, uma técnica muito simples e comprovadamente eficiente acaba sendo deixada de lado: o Rebalanceamento da Carteira.


Veja, abaixo, a performance do IBOV de 30/12/2008 a 25/07/2019:



Observando o gráfico acima conclui-se, rapidamente, que:


a.     a série observada encerrou-se com pontuação superior a do início da observação; e

b.     constatou-se razoável volatilidade.


Imagine que neste mesmo período um investidor tenha montado uma carteira de investimentos com R$100.000,00, composta por 50% em renda fixa (indexado ao CDI) e 50% em ações (indexado ao IBOVESPA). Assim, considere que, desde então, este investidor tem tido uma postura estática de modo a não realizar qualquer movimentação na sua carteira.


Sem entrar no mérito da rentabilidade da carteira no período destacado, observe como a composição inicialmente proposta é constantemente alterada, no decurso do tempo:



Essa composição (indexada ao IBOVESPA) chegou a alcançar percentual superior a 60% da carteira, em seu topo. Por outro lado, alcançou percentual inferior a 35% da carteira, no período em que o IBOVESPA apresentou depreciação (e a parte alocada em renda fixa indexada ao CDI seguia uma trajetória de alta).

A seguir, será demonstrado como este mesmo investidor poderia ter se aproveitado da utilização do Rebalanceamento da Carteira, neste mesmo período observado.


Afinal, como rebalancear a carteira?


A execução do rebalanceamento é simples e segue, basicamente, dois racionais:

 a.     estabelecimento de um intervalo de tempo (ex: mensalmente, semestralmente ou anualmente); e

b.     estabelecimento de bandas (ex: quando atingir + ou – 10% sobre a alocação inicialmente proposta).

Para facilitar o entendimento, prosseguirei considerando a execução do rebalanceamento seguindo apenas o item “b”, ou seja, estabelecendo uma banda que deverá ser respeitada. A banda será de 10% para cima e para baixo da alocação inicial. Sendo tal limite atingido, imediatamente será realizado um movimento a fim de igualar a carteira à composição inicialmente proposta, qual seja, representativa de 50% da carteira total.


Observe, abaixo, a composição indexada ao IBOVESPA no portfólio com o Rebalanceamento da Carteira sendo executado: 



Veja que, no exemplo acima, a carteira foi ajustada em quatro ocasiões. São as seguintes:

É importante observar a questão dos custos de transação e impostos sobre os rendimentos. Pode-se observar na tabela acima que ambos foram considerados quando da análise das transações.


Será que a estratégia adotada faz sentido? Veja, no gráfico abaixo, o momento de cada umas das transações:



Não se pode afirmar que foram acertados, com precisão, os “picos” e “vales”. No entanto, pode-se constatar movimentos assertivos.


O confronto entre a carteira estática e a carteira que adotou o rebalanceamento é mais revelador, conforme demonstrado abaixo:


No período destacado, a utilização do rebalanceamento se mostrou eficiente, tendo auferido retornos adicionais a carteira que manteve a mesma estratégia inicial (50% indexado ao IBOVESPA e 50% indexado ao CDI) e não realizou nenhuma movimentação desde então.


Veja abaixo a diferença, no decurso do tempo, entre a carteira que utilizou a estratégia do rebalanceamento e a estática:


É evidente que até o primeiro ajuste, realizado em 14/09/2009, não existia diferença entre as carteiras. Com este evento, as carteiras começam a se diferenciar.


A conclusão a que se chega a partir do gráfico acima é que, na maior parte do tempo, a carteira com rebalanceamento se mostrou vencedora.


Ante o exposto e o exemplo trazido, relativamente simplório, trago à luz uma reflexão interessante: devemos utilizar todas as ferramentas e conceitos a favor da maximização da relação risco-retorno e custo-benefício numa carteira de investimentos.


Dito isso, não devemos abrir mão do emprego de estratégias que se mostram vencedoras. Conforme comprovado, o Rebalanceamento da Carteira é uma delas.

Por fim, em benefício do full disclosure, ressalto que a carteira de investimentos analisada nesse trabalho é meramente exemplificativa, de modo que:


i. o IBOVESPA e o CDI não são, necessariamente, os melhores indexadores para remunerar a sua carteira;

ii.  uma carteira composta por 50% de Renda Fixa e 50% de Renda Variável não será, necessariamente, a carteira de investimentos ideal para você;

iii.  rebalancear por bandas e estipular como limite +10 ou – 10% em relação a alocação inicialmente proposta não será, necessariamente, a regulagem ideal para ajustar sua carteira de investimentos; e

iv. seus custos de transação e impostos sobre os ganhos não seguirão, necessariamente, este modelo.




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